You are viewing [info]plastic_mari's journal

Previous 10

Jan. 16th, 2012

Emagrecer pra quê?

Essa não é a primeira vez em que começo uma dieta.

Emagrecer para mim, nunca foi fácil, sempre beirei a loucura de querer chegar a ver meus ossos. E a minha loucura era isso: contar os grãos de arroz, as colheres de requeijão que consumia em um dia, contar cada uma das calorias que colocava na minha boca, ficando sempre abaixo do recomendado e ainda descontando no dia seguinte.

Parei de querer emagrecer por um tempo: Foi quando joguei tudo para o alto e comi tanta besteira, que adquiri uma gastrite maldita que me atormenta em tantos dias. Engordei mais de 10 kgs em 4 anos.

Não pretendo emagrecer esses 10 quilos. Quando estive com 50 quilos, estava doente: Eu não comia, eu contava o que comia, eu tomava laxante e fazia o diabo. A questão, para mim, é simples: As roupas que mais gosto estão apertadas, estou flácida e não estou feliz com esse corpo assim.

Na verdade, não sei bem se quero só emagrecer ou se quero parar de me alimentar dessa maneira: pastel, pizza, torta, macarrão, comida gorda, doce, sorvete, etc. Meu corpo está sucumbindo: Tive mais de uma gastroenterite em um ano. Os ataques da gastrite são freqüentes e eu não estou contente com isso.

Vou tentar cortar as besteiras, tentar comer coisas um pouco mais saudáveis. Pelo meu corpo. Pelo meu bem.

Jan. 9th, 2012

...essas coisas de família...

Desde 2008, a cada vez que vou para São Paulo, as coisas parecem um pouco bagunçadas.

Sair da casa dos pais é como continuar responsável por um lugar que por um lado parece estático e do outro parece em constante movimento. Eu, certamente, na primeira vez que voltei em algum feriado no primeiro ano de faculdade já não era mais aquela Mariana, a filha "rebelde". Para mim, já tinha saído daquele lugar de alguma forma: estava fora e aquele lugar deveria mudar comigo.

A questão, porém, era muito simples: Eu estava em mudança, mas o meu lugar estava garantido para a Mariana que tinha deixado aquela porta. A Mariana que os meus pais conheciam.

Meus pais mudavam também, minha irmã mudava, meus gatos mudavam, o meu cachorro morreu e eu não estive ali. Tudo isso foi acontecendo em mim de um jeito diferente, com outros apoios, outros preenchimentos, outros momentos, outras circunstâncias.

E então comecei a namorar o Diogo. Faz 3 anos agora. E nos casamos. Juntamos nossas coisas, acordamos juntos todos os dias, com o porém de que, nas férias, voltamos para a casa dos nossos pais.

E nesse processo, acabei trazendo para a minha vida, também, algumas outras pessoas: sogra, cunhado, sogro. E com isso, sem querer, acabei ganhando uma outra família.

E aí, hoje me pego pensando que estar em todos esses lugares parece muito estranho. A minha família de chão parece ser meu relacionamento com o Diogo, a minha família de raízes, de estar ali e eu saber que está é a Watanabe Barbosa e essa dos Santos Vieira vai me tomando dela e para ela.

E eu que era a filha rebelde, que queria que minha família fosse eu mesma e só eu, acabei ganhando outras duas famílias. E essa tarefa é aquela coisa mais família do que se podia imaginar: cheia de dores e delícias.

Sep. 15th, 2011

.Sobre uma despedida.

E chegou a hora de te dizer adeus. Embarquei no primeiro ônibus que tinha e depois de seis longas e angustiantes horas de viagem eu iria te ver pelas últimas vezes.

Abracei os meus queridos e fui para aquele momento que eu tinha torcido infinitamente nos três últimos meses para que não chegasse, mas ele tinha chegado e eu não tinha muito mais o que fazer.

Olhar o seu corpo, ali deitado, só me fez perceber o quanto você não estava mais ali. Nem parecia mais você, minha querida.

E se não estava mais ali, eu tinha a certeza de que tinha conseguido me despedir de você naquele nosso último encontro, tão bonito, intenso, feliz, sofrido e que foi como eu queria que tivesse sido.

Ainda não caiu a ficha e, na verdade, tenho sentido que foi tudo um sonho ruim e que, na próxima vez que eu for para São Paulo, vou passar na sua casa e você vai me dar aquele potão azul com aquele amendoim doce que só você fazia tão bem.

Mas eu sei que você não vai estar lá, Vó. E isso me causa um dos maiores vazios que já senti.

Se você está aqui comigo, no meu jeito, no meu sangue, nos meus traços. Se você está ali no meu pai, no rosto de traços tão semelhantes aos seus, na tranqüilidade que parece vir de família. Se você fez tudo que pode enquanto esteve aqui e agora pode descansar, eu acho que não deveria sentir tanta dor. Mas eu sou egoísta, vó, e eu não sei em que lugar colocar a dor de quem nunca mais vai poder te ver, te abraçar, ouvir seu sotaque tão carregadamente português.

Vó, obrigada pelos seus afetos mais singelos, obrigada por ter criado o meu pai que é a pessoa mais doce que há no mundo, obrigada por ter estado na minha vida. E que agora, depois desses meses tão cansativos, você possa, finalmente, descansar em paz.

Aug. 20th, 2011

(no subject)

E cá estou eu. É meia-noite-e-vinte. É a casa que já foi minha e que não é mais. É tempo que não volta. É a volta a tudo aquilo que não mais me satisfaz. É a cidade que sempre me faz passar mal, seja de estresse ou de pulmão.


Quando venho para cá, sempre trago um monte de esperanças na minha mala. Esperança de que finalmente entendam que aqui eu sou visita. Esperança de que , dessa vez, não haja brigas, ou de que minha família perceba que eu não sou o muro das lamentações que eles querem fazer um do outro.


O que me parece é que quando abro as minhas malas e a Cat voa dentro delas, todas essas esperanças correm e decidem ficar só dentro de mim e que elas nunca passam de uma vontade muito grande. Eu estou cansada disso.


Família sempre foi um ponto complicado da minha vida, ainda que seja aquele coisa: existe carinho, existe cuidado, existe vontade de ver o outro bem e feliz. Mas a verdade verdadeira é que sempre tive dificuldade em ter alguém tentando controlar absolutamente tudo do que faço. Aqui não posso esquecer de levar a louça para a cozinha, aliás, nem ralo do chuveiro pode entupir comigo, senão, sou obrigada a levar bronca e, claro, antes da bronca, a ouvir a minha irmã me dedurando.


Logo que chego aqui, não importa quem é a pessoa que vai me acompanhar dessa vez, raramente ouço boas coisas sobre bons dias, as pessoas ficam reclamando umas das outras. É como se ninguém tivesse nada bom. E eu não vejo assim. Não mesmo.


A minha irmã é daquelas que querem mostrar que sabem tudo o tempo inteiro, mesmo que não saiba. Ela é pentelha, curte dedurar as pessoas. Reclama de tudo o tempo todo. Mas ela é mais do que isso, sabe? Ela é detalhista, inteligente, lembra de cuidar dos gatos, é disciplinada e esperta.


Já o meu pai é devagar-quaaaaaaaaaaaaaaaaase-paaaaaaaaraaaaaaaaaaaaaaaando, quando começa a falar, conta oitocentas histórias, que parecem que nunca vão acabar. Sempre desconta a raiva que sente do cotidiano em alguém que nada tem a ver com aquilo. Mas ele é daqueles pessoas carinhosas, que se importam, que chora junto, que ri junto. Ele é daquelas pessoas tão tranqüilas que passam paz só de estar do lado. Meu pai cuida.


Minha mãe, coitada, é o maior alvo de lamentações. Ela é difícil mesmo, não nego. Estourada, ela grita com você por qualquer coisa. Mas não acho que isso seja suficiente para esquecer de todos os momentos de cuidado que passamos conjuntamente. Minha mãe sempre cuidou de mim e lembro do nosso momento de falar nossas lamentações de vida toda, há uns 5 anos, quando discutimos sobre nossos problemas de vida toda, quando ela disse que não sabe demonstrar afeto. Ela é assim, o carinho fica nas entrelinhas, sempre ficou. Difícil era aceitar isso. Agora entendo bem melhor.


As pessoas aqui não se conversam e não se movem para mudar as lamentações delas. Aprendi, desde essa conversa com a minha mãe, que era melhor a gente falar as coisas. Vejam bem: Se não tivesse prolongado tanto o tempo para dizer o que queria, certamente, a minha relação com ela não teria sido conturbada por toda a minha adolescência.


É óbvio que os defeitos vão existir, mas não é possível que eles realmente acabem com as relações desse jeito. Eu estou cansada das lamentações. Eu quero boas notícias.


Quero saber das conquistas, das experiências, das vontades, de leveza na vida.



Estou cansada dos defeitos estarem só nos outros e nunca em nós mesmos. Estou cansada dessa vida tão pesada e máscara zen que se coloca para a rua. Estou cansada de vir para cá e ouvir monólogos diários e de nunca ter um espaço para mim. Vejam bem: Não sou psicóloga de vocês, nem muro de lamentações, nem analista institucional, nem nada disso. Eu sou a Mariana, a filha e irmã mais nova, que adotou o Corisa e o Gizmo, que chora com qualquer filme romântico de sessão da tarde, que esquece de lavar a louça, de puxar a água do banheiro, de pendurar a toalha no varal e que nunca conseguiu ser organizada. Eu não moro mais aqui, eu sou visita, mas eu queria, de verdade, sentir que, pelo menos, vocês são a minha família.

Jul. 16th, 2011

Sobre a Dona Cecília ou, simplesmente, a minha avó.

 Um dia desses, eu estava em Assis, doente, tomando soro, quando a minha mãe me liga e diz: "a sua avó está internada na UTI", eu perguntei como ela estava e minha mãe disse que o médico havia falado para não ter muitas esperanças. E foi assim que eu fiquei sabendo que as coisas iam mudar.

A minha avó é assim: uma portuguesinha que fala as coisas de um jeito muito bonitinho, gordinha que parece um pinguim e encantadora, daquele jeito que não há como não se apaixonar. 

Aí eu estava aqui em São Paulo e, bom, ela tinha ido para a unidade de tratamento semi-intensiva, mas como meu pai chegava do hospital dizendo todos os dias que ela estava muito mal e que o médico vinha dizendo repetidamente que não tinha muito o que fazer, eu não me sentia nem um pouquinho pronta para encarar essa situação e não tinha ido vê-la até ontem.

Eu nunca tinha ido visitar alguém internado e que estivesse mal. Eu nunca tinha me sentido tão impotente.

Cheguei na sala de espera do hospital e desabei. Tudo que eu estava contendo para não chorar, toda a tristeza que a rotina tinha engolido, tudo isso surgiu ali. Eu ia ver a minha avó e eu não sabia como ia ser.

Na hora que eu entrei na sala e vi que ela estava ali, respirando por aparelhos, eu pensava repetidamente que eu só queria conseguir transmitir um pouco da minha vida para o corpo dela. Mas ontem, ela estava um pouco melhor do que tinham me contado: Ela não estava sedada e conversou muito comigo. O som não saía, mas eu sabia que ela estava ali e o sorriso dela ao me ver, o fato de ela ter agradecido a minha presença ali, isso é impagável.

De qualquer forma, não consigo ficar muito tempo sem chorar desde ontem. E mesmo depois de ter lido tantas vezes meus autores queridos dizendo que a morte é só um acontecimento, eu sentia fixamente que mesmo ela sendo simples assim, quando está na pele ela causa tristeza, impotência e uma outra porção de afetos. Sentir-se triste não é nenhum crime. Chorar é só uma maneira de transbordar tanta coisa que passa mim agora.

Eu sei da importância da minha avó, sei que sem ela eu não estaria aqui, sei que ela fez parte disso que sou hoje e que, ainda que ela esteja partindo lentamente, ela estará sempre em mim, mas saber de tudo isso não impede a minha tristeza e a minha vontade de que ela estivesse comigo só mais um pouco.

Jul. 9th, 2011

Sobre o meu amor.

Férias é sempre assim. A sua falta me faz ficar sem chão por dias.

Se você soubesse, meu amor, o que é, para mim, acordar pelas manhãs e não te ter do lado. Se soubesse das lágrimas que escorrem de saudades suas. E do quanto eu penso em você o tempo todo, tenho certeza que grudaria em mim e a gente não ficaria longe um do outro nem por dois dias.

E eu aqui, fico tentando reviver momentos, vendo fotos, fazendo o diabo para te ter aqui tão perto quando está longe.

De repente, percebo que você está em mim, que não preciso de fotos e, estando longe ou perto, se me vivo, estou te vivendo comigo.
Tags: ,

Apr. 22nd, 2011

.Sobre a pseudo-vida.

Ah, que azar! Encontrar com gente no mundo que esquece que a vida está aí para ser vivida.
A vida, quando mentida, vive a se esconder pelos cantos, fugindo da gente, fazendo de tudo para que a gente não consiga vivê-la.

E aí, de repente, dou de cara com esse tipo de pseudo-vida (tão paradoxal isso), daquelas que querem enganar a todos para conseguir satisfazer fantasias de quem se é. A questão é que não se é fantasia por muito tempo, porque uma hora as roupas (até as mais teatrais) sujam e precisam ir para a máquina de lavar.

E aí, minha gente, quando a máquina escorre a água, sai tanta sujeira, mas tanta sujeira, que é de deixar qualquer um atordoado.

Sujeira demais incomoda. O problema é que a vida não tem desses "omo", "ariel" ou coisa que o valha. Algumas manchas vão ficar aqui para sempre.

A sensação de ter sido enganada vai ficar aqui para sempre, as suas mentiras e aquilo que realmente acontecia vão sempre bater em mim com várias reações: a de idiotisse minha por ter acreditado, a de que limpeza e beleza por fora não são realmente nada, a de que tem gente que é imagem, a da falta de controle, a da falta de respeito e tantas outras, ah, mas tantas outras, minha cara, que acho que você conseguiu seu desejo: nunca será esquecida, com a ressalva de que esse não-esquecimento é bastante, ah, bastante negativo.

Apr. 21st, 2011

Sobre pânico, tendinite, madrugadas e ausência.

 Sou daquelas que sente demais. Tudo para mim sempre foi motivo de drama.

E daí que esse ano estou mais atribulada do que jamais estive. Bem, já tive sim, mas nunca desse jeito.

Lembro do meu 2º ano de cursinho, quando disse para mim mesma: "Te proíbo de sentir qualquer coisa durante esse ano". Era mais ou menos isso, entrava lá bem cedo, saía bem tarde e passava o dia estudando. Não gostei de ninguém. Surtei só uma vez, por cansaço. E passei na faculdade, tudo bonitinho, não do jeito que eu queria, mas certamente de um jeito que foi o melhor para mim.

Aí começou esse ano. Eu sabia que não ia dar conta. De repente, em uma reunião de estágio, começo a sentir que vou morrer. E parecia o tempo inteiro que eu ia cair e ninguém ia fazer nada por mim. Estávamos discutindo algum texto, lembro de ter falado coisas absurdas só para tentar me distrair um pouquinho. Saí da sala, encontrei meu namorado e disse o que estava sentindo. Ele foi comigo até a porta do prédio e eu segui até a clínica-escola, com aquele medo me perseguindo, mas aí um paciente chegou e conversando com ele, tudo foi ficando melhor.

Mal sabia eu: Aquilo se repetiria e eu de terapeuta, passaria a ser uma atendida na maioria das sessões subseqüentes.

Foi assim: sensação de morte por infarto, por avc, por engasgamento (existe isso?), enfim sentia que fosse morrer.

E aí foi piorando, não conseguia dormir por achar que eu ia morrer, não conseguia jogar video-game por achar que ia ter um ataque epiléptico, nem sequer ir ao banheiro sozinha pela noite eu consegui em vários dias. E era sempre aquela coisa: "Diogo, tô passando mal de novo". E ele estava lá, sempre.
 
As minhas madrugadas em São Paulo, nas duas últimas vezes que vim para esses lados se baseiam em procurar diagnósticos na internet para a coisa x que estou sentindo no momento. Nos últimos três dias, tenho sentido dores no peito, às vzs parece que meu coração tá tremendo lá dentro, e também uma dor/dormência no antebraço e nas mãos. Sei, de forma consciente, que as dores no peito são gases, muito provavelmente, e que as dores no antebraço são decorrência de uma tendinite que vem me  perseguindo desde o começo do ano. Mas a minha cabeça tem me feito acreditar que estou enfartando. E daí são crises na hora de dormir, na rua (achando que vou morrer e que ninguém fará nada por mim) ou vendo tv, ou fuçando a internet.
 
Da outra vez, foi a tontura que me fez crer plenamente que sofria um avc.
 
Sei que, todos os dias, na hora de dormir, penso que se o Diogo estivesse por perto seria bem, mas bem mais fácil. Porque ele é minha tranqüilidade nessas horas, ele vai lá, segura minha mão. Aqui, tudo que sinto é visto como loucura, como frescura e isso me dói, porque vocês não tem noção do que é isso que eu tô sentindo e, agora, eu só queria que passasse...

Mar. 12th, 2011

.Sobre trabalho.

Estive pensando sobre uma porção de coisas nesses tempos. Mas se fosse escolher uma que tem me angustiado bastante é, sem dúvidas, a questão da profissão que escolhi/ que escolhemos.

E é engraçado que tudo agiu para que a reflexão sobre isso fosse crescendo de um jeito que se tornasse uma coisa imensa em mim.

Era ver orkut de amigos com quem não tenho contato há tempos e encontrar pessoas que tinham entrado num curso x e mudaram para um y bastante diferente. Alguns, conheço os motivos da mudança, outros não faço idéia.  Alguns sei que foi muito mais por causa de grana, outros porque já estavam encaixados em empregos de uma outra área e por aí vai.

A questão é que nunca trampei de carteira assinada. Então meus motivos para ter continuado na psicologia, mesmo depois de uma grande vontade de desistência, foram bem diferentes.

Mas não acho que o ponto esteja aí, ou até pode estar um pouquinho aí, mas é aquela coisa, a vida não é só uma coisa.

Pois bem, certa vez vi uma frase que era mais ou menos assim: "Escolha um trabalho que ame e não terá que trabalhar por mais nenhum dia de sua vida". E tudo que pensei me fez lembrar claramente dessa frase e de quanto ela diz uma porção de coisas para mim.

Quando optei ficar na psicologia, coloquei na minha cabeça que tinha que me fazer gostar daquilo e saí caçando, caçando, até que sentisse tesão por alguma coisa, sabe? Tesão de olhar alguma coisa e perceber que fazia sentido, que eu queria me entregar de forma a viver com base naquilo. Uma porção de autores tem me guiado e tenho crescido muito nesse exercício.
 
Daí começo a puxar o que acredito sobre profissões e todas essas coisas que, como sei, fazem de mim uma idealista nesse sentido. Trabalho para mim não é se travestir de mediquinho, de professorzinho, psicologuinho, etc, etc, e ir lá, atuar, depois tirar a mascarazinha. 
 
Pode parecer piegas, mas ainda acredito em um tipo de trabalho que tenha verdade, um trabalho que tenha corpo, que realmente te faça vibrar e ser aquilo. Sei que é muito cru o que coloco aqui, mas sinto de alguma forma ver vários de meus amigos se tornando pessoas frustradas, que fizeram faculdade para ter um diploma, que vão fazer mestrado para ter um emprego melhor e só isso.
 
E essa sensação me traz medo, muito medo, na verdade. Acho que isso vem de toda uma coisa de eu acreditar em dedicação para que um trabalho seja feito, que diploma não te transforma em nada (se você não quiser ser transformado naquilo) e, principalmente, que trabalho exige cuidado e um certo carinho.
 
Faculdade é todo um processo, até que você possa receber um título. Vejo que, no meu curso, na minha faculdade, muita gente tá se formando em algo que não faz sentido para a vida dessas pessoas.
 
E aí me vem à cabeça, uma vontade gigante de gritar para as pessoas para que elas, por favor, façam algo que amem, porque aí a máscara não vai ter que surgir, já que aquilo vai realmente estar nelas, aquilo vai gerar prazer e vai realmente fazer parte de uma vida.
 
Mas são só reflexões. E talvez seja mesmo só coisa da minha cabeça, porque para alguns o dinheiro vai ser o mais importante, para outros os títulos, o status e por aí vai. Eu ainda acredito em um trabalho baseado em toda uma ética que faz sentido para mim, e pretendo trabalhar assim. Espero conseguir.

 
 
 

Jan. 7th, 2011

Sobre trabalho, estigmas e poder ser quem se é.

 Desde muito cedo gosto de body modifications. Sempre almejei ter pelo menos um dos meus braços tatuado por completo, uns alargadorezinhos aqui e uns piercingzinhos acolá.

Nunca enxerguei problema algum em tatuagens e não entendia porque as pessoas achavam algo de tão ofensivo.

Sempre que falava para as pessoas que eu ia tatuar independentemente daquilo que os outros pensavam, todo mundo logo perguntava "Mas e pra arranjar trabalho?"... E eu pensava que não ia ter problema, afinal, queria trabalhar com arte.

Aí, os rumos mudaram, e eu fui fazer psicologia. Não vou dizer que não tenho medo algum de cair no mundo e não conseguir um emprego que eu realmente ame, mas devo dizer que tenho pensado seriamente a respeito do quanto tenho que me esforçar para ser competente o suficiente para ultrapassar esses estigmas todos que existem a respeito de uma estética pela qual sou apaixonada.

Comecei a pensar mais nisso depois que a minha supervisora deu conselhos sobre como nós, novatos, deveríamos agir. Ela falava claramente sobre não usar roupas decotadas, nem saias, nem salto, nem tomara-que-caia, nem nada que fosse exagerado. E aí entrei num processo de "putaqueopariu, porra, tenho que renovar meu guarda-roupa".

Quando fui fazer compras-de-roupas-para-trabalhar entrei em um dilema: deveria escolher roupas que fossem completamente estereotipadas, ficando em roupas que pretendo usar depois dos 35 ou deveria seguir uma linha muito próxima daquilo que gostava, mas que simplesmente não tivesse tantos exageros assim? Deveria cobrir tatuagem? Deveria me tornar a típica garota pseudo-psicóloga-formada tão típica do 4º ano?

E foi então que pensei que deveria continuar na linha daquilo que sou. Sei que os pais das crianças que vou atender podem olhar e falar "que porra essa tatuada tá fazendo atendendo meu filho?" ou algo do tipo, mas também sei que posso me dedicar o suficiente para que, se caso essas primeiras impressões existam, elas se desfaçam com o tempo.

Previous 10

January 2012

S M T W T F S
1234567
891011121314
15161718192021
22232425262728
293031    

Syndicate

RSS Atom
Powered by LiveJournal.com